Ilhas do Arquipélago da Mancha. Victor Hugo
nos apresenta um universo em todos os seus aspectos: religião, geografia,
historia em um texto acrescentado ao início desta edição. Essa espécie de
prefácio se parece muito com o começo de ‘Os Sertões’ de Euclides da Cunha
(livro que este blog está a ler). Detalhes e mais detalhes sobre os rochedos,
as marés, as correntes de ar. Atravessada esta parte, quando enfim começamos a
história que irá se desenrolar, aí sim temos o filé mignon: Hugo nos
apresentando seus personagens: Gilliatt, Deruchette, Mess Lethierry, a Durande
(um barco – sim um barco é parte importante da história). É um mais fascinante
que o outro. Vamos nos ater a Gilliatt. Por um episódio ao acaso, Gilliatt, nosso
herói, um solitário morador da ilha, tido por muitos como uma feiticeiro, homem
de habilidades e intimidade com o mar, vai sem aviso arriscar a vida até um
rochedo no meio do oceano para retomar a máquina perdida do naufragado barco a
vapor do senhor Lethierry, outro morador com suas excentricidades – entre elas
o anti clericalismo radical. Trabalho insano o resgate da Durande, que coloca
nosso herói em luta excruciante com o mar e todos os seus elementos. A
recompensa? O casamento com a doce Derruchete, filha do nosso ‘Mess’ – título
conquistado a duras penas por Lethierry em uma sociedade divida socialmente cujo
amor vai igual para o barco e a filha, a quem promete o casamento para o ser
que conseguir resgatar a Durande. O fim da história? Só lendo esta obra
fantástica que muitas vezes tem seus momentos ‘os sertões’, principalmente nas
descrições dos engenhos de Gilliatt no rochedo: longas e cheias de detalhes que
podem cansar o leitor. Mas vale a pena: a apresentação dos personagens é
fascinante e apaixonante e o final, ah meus amigos... um final que só um
escritor Romântico da estirpe de Hugo poderia nos brindar. E as reviravoltas da
trama? E o naufrágio da Durande causando pelo aparente homem exemplo-de-conduta
capitão Clubin? Antológico mes amis!!
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
a ditadura envergonhada - elio gaspari - companhia das letras
Foi o que fiz antes de iniciar a leitura deste primeiro volume dos livros sobre o governo militar escrito pelo Elio Gaspari - autor hoje mais conhecido por ser colunista de um dos "jornalões" brasileiros. Elio tem seu arquivo historiográfico pessoal, conversou longamente com alguns dos próprios presidentes militares, como Geisel, e ganhou bolsa de estudos para pesquisar o assunto no exterior. "A Ditadura Envergonhada" cobre o período desde a movimentação dos militares que depôs o presidente João Goulart até a instituição do famigerado AI-5 que jogou o Brasil em dez longos anos de torturas, censura e abusos inomináveis.
Minha "pesquisa" consistiu em ler algumas resenhas na web. O título de um dos artigos que apareceram já logo confirmava minhas suspeitas: "a historiografia envergonhada". Ou seja, alguns dos trechos do livro de Gaspari tendiam a retratar a ditatura de um modo que nem todos possam concordar. Em outro link também li que alunos de pós-graduação em alguma universidade já haviam jogado por terra alguns argumentos de Gaspari. Como gosto de acompanhar estes tipos de discussão, paguei pra ver e encarei a leitura do livro.
Meu conhecimento em política não é substancial, mas acompanho o noticiário e costumo ler a respeito com frequência. Em casa, tive um pai que foi um político fracassado. Nunca conseguiu se eleger a nenhum cargo, mas conheceu pessoalmente gente como Tancredo Neves e Itamar Franco e isso deve ter me influenciado de algum modo a me interessar pelo assunto. Dito isso, não tenho, portanto cabedal para analisar o livro em suas inconsistências ou discutir seus trechos mais polêmicos, mas posso dar minha impressão geral para quem se interessar em lê-lo.
O livro é muito bem documentado, todas as informações tem sua fonte registrada em notas de rodapé. Descreve em detalhes os primeiros movimentos dos militares para a deposição do governo para "salvar" o Brasil do comunismo. Quando do golpe, vai se descrevendo a formação da resistência, a derrota de parlamentares ligados ao militares nas primeiras eleições pós 64 e a publicação Ato Institucional 2 que liquidou as eleições diretas para presidente. Um dos melhores capítulos do livro, no entanto, é a análise do contexto cultural que o autor faz dos anos sessenta, uma década em que a juventude inquieta girava a roda em um sentido e o discurso oficial girava em outra.
O livro é até bem escrito, mas às vezes oscila: tem trechos saborosos e outros em que ficamos perdidos em tantos detalhes (o que pode ser visto como algo bom, certamente). Pesando tudo, sou obrigada a concordar com a crítica feita pelo texto da internet: Gaspari parece olhar para o período militar sem condenar os presidentes em si e sim criticar a chamada "linha dura", a ala indisciplinada dos militares e, claro, a tortura. O presidente deposto João Goulart é mostrado como um homem sem pulso, vacilante, “sem inimigos, a não ser os da política". Os parágrafos finais deste volume contam do episódio em que militares colocam em um palco presos políticos e com ajuda de slides ensinam técnicas: "a palmatória é um unstrumento com o qual se pode bater em um homem por horas a fio, com toda a força..."
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (Millennium - 1) - Companhia das Letras - 2008
Deve-se desconfiar de best-sellers. Quem leva literatura minimamente a sério também desconfia. Por alguma razão o livro que vende milhões tem que ter suas concessões, tem que ser "fácil". Quando a trilogia Millenium começou a ficar conhecida no Brasil, chamar a atenção de leitores e começou a vender, minha desconfiança teria sido a mesma não fosse o fato de o livro ter sido lançado por uma editora que, aparentemente, não faz concessões. Acabei por adquirir o livro junto com uma outra compra na internet e o coloquei na cesta para não pagar o frete - uma humilhação para um livro.
Depois de mais de um ano na minha estante, resolvi finalmente ler o primeiro volume da série (que é composta por 3 livros). E eis que este livro, que não é lá assim tão best-seller, ensinou uma lição da qual eu havia me esquecido há tempos: como é fantástico o fascínio da leitura. Quero dizer da leitura sem compromissos, sem a necessidade de anotar nada, de simplesmente sentar na poltrona e ser levado pela história. É o que acontece com "Os homens que não Amavam as Mulheres".
Stieg Larsson - o autor, morreu assim que entregou os livros a editora, em um lance de pura fatalidade - nos deixou a história de Lisbeth Salander, uma hacker anoréxica com típico visual cyber-punk que ajuda o jornalista Mikael Blomkvist a desvendar o sumiço da sobrinha de um grande industrial - cujo desaparecimento misterioso ocorreu há décadas. O personagem de Lisbeth, por mais estranho que seja, é assustadoramente cativante. É seguindo as pistas desta história que o livro nos leva fácil fácil. Como escreve Contardo Caligaris na contracapa do livro: "O problema com Larsson é que, se a gente se aventura e entra na história, está perdido: não tem mais como largar o livro".
Depois de mais de um ano na minha estante, resolvi finalmente ler o primeiro volume da série (que é composta por 3 livros). E eis que este livro, que não é lá assim tão best-seller, ensinou uma lição da qual eu havia me esquecido há tempos: como é fantástico o fascínio da leitura. Quero dizer da leitura sem compromissos, sem a necessidade de anotar nada, de simplesmente sentar na poltrona e ser levado pela história. É o que acontece com "Os homens que não Amavam as Mulheres".
Stieg Larsson - o autor, morreu assim que entregou os livros a editora, em um lance de pura fatalidade - nos deixou a história de Lisbeth Salander, uma hacker anoréxica com típico visual cyber-punk que ajuda o jornalista Mikael Blomkvist a desvendar o sumiço da sobrinha de um grande industrial - cujo desaparecimento misterioso ocorreu há décadas. O personagem de Lisbeth, por mais estranho que seja, é assustadoramente cativante. É seguindo as pistas desta história que o livro nos leva fácil fácil. Como escreve Contardo Caligaris na contracapa do livro: "O problema com Larsson é que, se a gente se aventura e entra na história, está perdido: não tem mais como largar o livro".
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
feltrinelli: editor, aristocrata e subversivo - editora conrad - 2006
Esta biografia de Feltrinelli, escrita pelo filho do editor, detalha toda a história de publicação do romance, ou seja, "o romance do romance" e a crônica de outras publicações como os livros do escritor americano Henry Miller. Uma história interessantíssima, mesmo que contada às vezes sem muito didatismo pelo autor, que poderia situar melhor o leitor no contexto histórico da época. É preciso portanto já ir para a leitura com certo conhecimento prévio. Mas quem conhece a figura Feltrinelli provavelmente já deve estar ciente de sua importância e não se arrependerá de conhecer os detalhes de sua fascinante história. Antológico!
quinta-feira, 22 de abril de 2010
Leituras: Grande Sertão: Verdas - Nova Fronteira
Pronto. Confesso. Chorei relendo algumas passagens de Grande Sertão Veredas! Eu já li grande parte deste livro uns anos atrás, mas quase no final tive que abandonar a leitura por algum motivo. Mas não fiquei triste, porque sabia que iria ler e reler este livro muitas vezes. E então agora começo do começo e sem nenhum fio de dúvida declaro: é o livro mais bonito da literatura brasileira! Pelo menos do que eu já li até aqui!
A linguagem não é preciso nem comentar: "de primeiro eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp'ro, não fantasêia..."
Este é o tipo de livro em que o vale é o sentir. Como diria Clarice Lispector "ou toca ou não toca". Ou você sente o livro e é levado por aqueles monólogos do personagem narrador ou ele te dá uma surra e você sai resmundando "quem livro chato, blá, blá,blá´".
Agora o mais bonito de tudo é a relação Riobaldo x Diadorim! Pro inferno com essas historinhas de amor vampiresco de Stephanie Meyer!! Pro diabo com isso! A história da fascinação de Riobaldo com Diadorim é o que eu chamo de uma verdadeira "love story":
"...Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Digo o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego...".
Mas pera aí...ele? Riobaldo não é jagunço e Diadorim também, cujo nome na verdade é Reinaldo?
Leia o livro amigo! Leia!!!
A linguagem não é preciso nem comentar: "de primeiro eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp'ro, não fantasêia..."
Este é o tipo de livro em que o vale é o sentir. Como diria Clarice Lispector "ou toca ou não toca". Ou você sente o livro e é levado por aqueles monólogos do personagem narrador ou ele te dá uma surra e você sai resmundando "quem livro chato, blá, blá,blá´".
Agora o mais bonito de tudo é a relação Riobaldo x Diadorim! Pro inferno com essas historinhas de amor vampiresco de Stephanie Meyer!! Pro diabo com isso! A história da fascinação de Riobaldo com Diadorim é o que eu chamo de uma verdadeira "love story":
"...Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Digo o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego...".
Mas pera aí...ele? Riobaldo não é jagunço e Diadorim também, cujo nome na verdade é Reinaldo?
Leia o livro amigo! Leia!!!
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Leituras: Arte, Inimiga do Povo - Conrad

Este blog recomenda Arte, Inimiga do Povo ,(Conrad, 207p)indispensável para quem acompanha cultura e quer refletir sobre arte. A frase lapidar do autor Roger L. Taylor, professor universitário britânico é: "a arte não passa de uma grande farsa, um jogo de cena das classes dominates para vender seu estilo de vida como algo superior e elevado". Há nessa assertiva, um certo ranço marxista que, em se tratando de arte, as vezes não deve ser levado muito a sério. Agora, a idéia realmente interessante de Taylor é a da adoção e apologia de manifestações culturais originalmente populares por cultos críticos brancos de classe alta. O jazz, por exemplo, ignorado como arte de pobres e negros, posteriormente foi aceito como expressão artísitca elevada. Taylor traça todo este processo em um dos melhores capítulos do livro chamado "Um alerta sobre a influência corruptora da arte na cultura popular".
Altamente recomendado!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Leituras: Sexo, Arte e Cultura Americana - Camille Paglia - Companhia das Letras

O livro “Sexo, Arte e Cultura Americana” é um achado, esgotado há anos, é um caso de desaparecimento - pois não há referência a obra nem mesmo no site da editora que o lançou no Brasil. Um desastre editorial, pois é justamente o livro pelo qual podemos conhecer o pensamento de Camille Paglia, intelectual feminista (ou anti-feminista, dependendo do ângulo) americana que se tornou uma estrela acadêmica no princípio da década de 90 e possui as idéias mais tresloucadas e brilhantes de toda esta década.
Paglia teve sua formação em universidades públicas e finalmente na elitizada Yale em Nova York. Seu mentor intelectual foi ninguém menos que Harold Bloom, crítico literário mais badalado atualmente e bíblia a qual todo jornalista recorre quando vai escrever sobre os clássicos. A ascensão de Paglia se deu em 1990, quando lançou seu livro Personas Sexuais, em que trata de séculos de historia do sexo e as artes no ocidente. O lançamento sem alarde e sem resenhas bombásticas, em poucos meses deslanchou a carreira de Paglia, que, de uma desconhecida do grande público, se tornou figura requisitada por toda em toda a mídia. Os detalhes desta trilha do sucesso são contados em um capítulo do livro. A consagração foi uma conferência do MIT com centenas de pessoas disputando lugar por corredores e salas.
Em Sexo, arte...estão compilados ensaios, artigos, resenhas de livros e trechos de entrevistas concedidas a diversos veículos de comunicação. Uma amostragem que expõe a grande qualidade de Paglia: seu vigor intelectual e, principalmente, verbal. Mesmo não concordando com a agenda da escritora (“sou abertamente a favor da prostituição, da pornografia”), não há como não se render ao seu estilo cáustico, estridente e de uma arrogância sem solenidade. Paglia é portadora de erudição clássica e mesmo assim, escreve à maneira rude e crua dos americanos. Seu pensamento é povoado de referências históricas à cultura helênica, o que dá muito de consistência nas assertivas feitas por ela. Polêmica, despudorada, com idéias exageradamente liberais, Camille Paglia é a doida varrida mais brilhante da América.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2008
Leituras: Madame Bovary - Gustave Flaubert
Ai de ti, romantismo.
Uma data comemorativa sobre Madame Bovary é um bom pretexto para se escrever sobre este livro sensacional. Escrito em fins do século XIX, o romance conta a história de Emma Bovary, personagem central do livro escrito pelo francês, Gustave Falubert. Casada com um médico provinciano, Emma não se agüenta de tédio de uma vida sem novidades. Em busca de aventuras, a jovem começa a trair o marido exemplar com jovens galantes e igualmente inescrupulosos. Emma mente, contrai dívidas, engana descaradamente o pacato e apaixonado Dr. Bovary.
Antes de mais nada, trata-se de uma história tocante de humanidade, a partir do momento em que nos identificamos com Emma em sua faina de viver uma vida mais aventuresca, rechaçando a monotonia de uma existência muitas vezes comum, reles. Depois é uma crítica ácida à ideologia romântica, pois demonstra a impossibilidade de se viver aquém das regras sociais que prevêm um comportamento sempre pré-estabelecido: Emma deveria viver e morrer junto ao exemplar Dr. Bovary e sua vizinhança insossa. E por fim, é um livro de erotismo inclassificável, o melhor deles. Mesmo não havendo uma referência explícita, todos os momentos sórdidos de Emma com seus amantes são de tirar o fôlego.
Não é preciso dizer que um livro assim tão ousado não passou incólume pelos patrulheiros conservadores do século XIX. Flaubert teve de atender à um processo público e responder sobre a imoralidade da obra. Mas tudo passou, e ao lado de “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós, é um dos livros mais deliciosamente escandalosos do século XIX. Simplesmente antológico!
Aviso aos navegantes: a obra não é das mais fáceis de se ler. O estilo de Flaubert é lento e a construção do livro é minuciosa, mas vale a pena insistir.
Uma data comemorativa sobre Madame Bovary é um bom pretexto para se escrever sobre este livro sensacional. Escrito em fins do século XIX, o romance conta a história de Emma Bovary, personagem central do livro escrito pelo francês, Gustave Falubert. Casada com um médico provinciano, Emma não se agüenta de tédio de uma vida sem novidades. Em busca de aventuras, a jovem começa a trair o marido exemplar com jovens galantes e igualmente inescrupulosos. Emma mente, contrai dívidas, engana descaradamente o pacato e apaixonado Dr. Bovary.
Antes de mais nada, trata-se de uma história tocante de humanidade, a partir do momento em que nos identificamos com Emma em sua faina de viver uma vida mais aventuresca, rechaçando a monotonia de uma existência muitas vezes comum, reles. Depois é uma crítica ácida à ideologia romântica, pois demonstra a impossibilidade de se viver aquém das regras sociais que prevêm um comportamento sempre pré-estabelecido: Emma deveria viver e morrer junto ao exemplar Dr. Bovary e sua vizinhança insossa. E por fim, é um livro de erotismo inclassificável, o melhor deles. Mesmo não havendo uma referência explícita, todos os momentos sórdidos de Emma com seus amantes são de tirar o fôlego.
Não é preciso dizer que um livro assim tão ousado não passou incólume pelos patrulheiros conservadores do século XIX. Flaubert teve de atender à um processo público e responder sobre a imoralidade da obra. Mas tudo passou, e ao lado de “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós, é um dos livros mais deliciosamente escandalosos do século XIX. Simplesmente antológico!
Aviso aos navegantes: a obra não é das mais fáceis de se ler. O estilo de Flaubert é lento e a construção do livro é minuciosa, mas vale a pena insistir.
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