Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Livros. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Tempo para leituras - que não sejam os livros

Livro é o que eu mais leio. O hábito de ler livros sistematicamente, ou seja, um atrás do outro eu adquiri muito tarde. Posso dizer que compro livros desde os 17 anos, mas só fui realmente lê-los mais de 10 anos depois. Em 2010, passei seis meses em BH, estudando em uma das disciplinas isoladas do mestrado em Inglês da Universidade Federal de Minas Gerais. A matéria era sobre literatura americana, algo como “questões de gênero, raça e linguagem”. Lemos ótimos livros de autores negros, mulheres e obras dos autores mais experimentais como Thomas Pynchon e William Faulkner. Foi ótimo, o mestrado não foi pra frente, mas foi uma experiência fundamental ler, discutir e escrever sobre livros incríveis. Passei o semestre tendo que ler um livro por semana praticamente e foi esse esquema que me acostumou a ler constantemente. Passei até a conta-los: em 2011 foram 45, em 2012, 50 livros, em 2013 a conta caiu, mas tudo bem: 28 livros lidos
O que eu lia antes disso? Lia sobre os livros e não os livros em si. Lia muito revistas e coisas online, jornais etc. Recortava e guardava resenhas em uma pasta (um dos sonhos da minha vida é reencontrar essa pasta que se perdeu na casa de alguns dos meus irmãos), o que me ajudou muito quando consegui comprar mais livros: aprendi sobre autores que valeriam mesmo a pena ler. Quando comecei a frequentar livrarias e levar mais coisas pra casa, eu já sabia o que queria.
O problema é que agora a questão se inverteu: como ler periódicos? Sinto uma sensação de culpa toda vez que passo horas lendo coisa na internet. Sou assinante de uma revista brasileira e vi várias vezes uma pilha se formando com os exemplares se acumulando ainda no plástico. Não vou entrar no mérito da qualidade das publicações brasileiras, mas sei que existe muita coisa bacana pra se ler. Eu particularmente gosto do jornalismo americano, como a página cultural do The New York Times ou da revista The New Yorker. Em uma viagem recente à Buenos Aires, descobri uma publicação chamada 'Brando' que traz dicas de séries, livros, matérias interessantíssimas: o jornalismo cultural Porteño parece ser de primeira.
Outra revista muito legal é a “The Believer” fundada pelo autor americano hiper-hype Dave Eggers (preciso ler). Tem como um dos seus colunistas o britânico Nick Hornby – autor do também livro-hype Alta Fidelidade. As resenhas de livros são ótimas, tem matérias sobre literatura, música e cinema: coisa fina. Ah, e quem desenha as capas é ninguém menos que o Charles Burns (autor de “Black Hole” conhece?).
Mas onde está o tempo pra ler isso? Todo leitor viciado que se preze tem uma lista interminável de livros que quer ler, quer ter. Como faz? Nos últimos tempos tenho tentado liberar um dia da semana pra acompanhar essas publicações, tirar um dia pra ler revistas, jornais e sites bacanas como The Flavor Wire. E sim, fazer isso sem culpa de estar deixando os livros de lado. Foi a solução que encontrei, vamos ver se a pilha da revista assinada para de existir. Tomara.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Hamlet (ou tentando entender a grandeza de Shakespeare)


Já havia comentado algumas vezes minha dificuldade em gostar de Shakespeare. Já lidos do autor: Noite de Reis, A tempestade, MacBeth e Hamlet – talvez a obra mais estudada e escrutinizada da história da literatura. Li as peças com clara dificuldade para entender o que se passava e chegar às profundezas que levam a maioria dos críticos a colocar Shakespeare como o maior criador literário do ocidente. Estes dias me vi pensando mais uma vez sobre o assunto e repassando na minha cabeça o enredo de Hamlet consegui alcançar algo de uma iluminação. Talvez muita gente já houvesse percebido o fato  - e eu aqui dando uma de retardada: mas não é a genial a ideia do personagem que para vingar seu pai não pega em nenhuma arma e sai a matar cruelmente o autor do assassinato? Ao vez disso ele faz o que? Monta uma peça de teatro... uma peça dentro da peça e ali, encenando a morte do pai, ele consegue não a vingança em si, mas confirmar a culpa do assassino pela sua reação. Não é isso genial? Cheguei em casa e fui repassar algumas passagens do livro. Ganhei meu dia, consegui ter um pequeno lampejo da grandeza do bardo! Antológico!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

a ditadura envergonhada - elio gaspari - companhia das letras

Como disse um professor de história da Yale University, John Merriman: "History has its histories": a história tem suas histórias. Antes de ler um livro sobre um assunto tão melindroso como a ditadura militar no Brasil, é importante fazer uma pequena pesquisa. Por mais que tentem ser objetivos, historiadores (ou neste caso jornalistas) podem ter seus parâmetros intelectuais que, de um modo ou de outro, influenciam sua opinião e consequentemente sua representação da história em um livro.

Foi o que fiz antes de iniciar a leitura deste primeiro volume dos livros sobre o governo militar escrito pelo Elio Gaspari - autor hoje mais conhecido por ser colunista de um dos "jornalões" brasileiros. Elio tem seu arquivo historiográfico pessoal, conversou longamente com alguns dos próprios presidentes militares, como Geisel, e ganhou bolsa de estudos para pesquisar o assunto no exterior. "A Ditadura Envergonhada" cobre o período desde a movimentação dos militares que depôs o presidente João Goulart até a instituição do famigerado AI-5 que jogou o Brasil em dez longos anos de torturas, censura e abusos inomináveis.

Minha "pesquisa" consistiu em ler algumas resenhas na web. O título de um dos artigos que apareceram já logo confirmava minhas suspeitas: "a historiografia envergonhada". Ou seja, alguns dos trechos do livro de Gaspari tendiam a retratar a ditatura de um modo que nem todos possam concordar. Em outro link também li que alunos de pós-graduação em alguma universidade já haviam jogado por terra alguns argumentos de Gaspari. Como gosto de acompanhar estes tipos de discussão, paguei pra ver e encarei a leitura do livro.

Meu conhecimento em política não é substancial, mas acompanho o noticiário e costumo ler a respeito com frequência. Em casa, tive um pai que foi um político fracassado. Nunca conseguiu se eleger a nenhum cargo, mas conheceu pessoalmente gente como Tancredo Neves e Itamar Franco e isso deve ter me influenciado de algum modo a me interessar pelo assunto. Dito isso, não tenho, portanto cabedal para analisar o livro em suas inconsistências ou discutir seus trechos mais polêmicos, mas posso dar minha impressão geral para quem se interessar em lê-lo.

O livro é muito bem documentado, todas as informações tem sua fonte registrada em notas de rodapé. Descreve em detalhes os primeiros movimentos dos militares para a deposição do governo para "salvar" o Brasil do comunismo. Quando do golpe, vai se descrevendo a formação da resistência, a derrota de parlamentares ligados ao militares nas primeiras eleições pós 64 e a publicação Ato Institucional 2 que liquidou as eleições diretas para presidente. Um dos melhores capítulos do livro, no entanto, é a análise do contexto cultural que o autor faz dos anos sessenta, uma década em que a juventude inquieta girava a roda em um sentido e o discurso oficial girava em outra.

O livro é até bem escrito, mas às vezes oscila: tem trechos saborosos e outros em que ficamos perdidos em tantos detalhes (o que pode ser visto como algo bom, certamente). Pesando tudo, sou obrigada a concordar com a crítica feita pelo texto da internet: Gaspari parece olhar para o período militar sem condenar os presidentes em si e sim criticar a chamada "linha dura", a ala indisciplinada dos militares e, claro, a tortura. O presidente deposto João Goulart é mostrado como um homem sem pulso, vacilante, “sem inimigos, a não ser os da política". Os parágrafos finais deste volume contam do episódio em que militares colocam em um palco presos políticos e com ajuda de slides ensinam técnicas: "a palmatória é um unstrumento com o qual se pode bater em um homem por horas a fio, com toda a força..."

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (Millennium - 1) - Companhia das Letras - 2008

Deve-se desconfiar de best-sellers. Quem leva literatura minimamente a sério também desconfia. Por alguma razão o livro que vende milhões tem que ter suas concessões, tem que ser "fácil". Quando a trilogia Millenium começou a ficar conhecida no Brasil, chamar a atenção de leitores e começou a vender, minha desconfiança teria sido a mesma não fosse o fato de o livro ter sido lançado por uma editora que, aparentemente, não faz concessões.  Acabei por adquirir o livro junto com uma outra compra na internet e o coloquei na cesta para não pagar o frete - uma humilhação para um livro.

Depois de mais de um ano na minha estante, resolvi finalmente ler o primeiro volume da série (que é composta por 3 livros). E eis que este livro, que não é lá assim tão best-seller, ensinou uma lição da qual eu havia me esquecido há tempos: como é fantástico o fascínio da leitura. Quero dizer da leitura sem compromissos, sem a necessidade de anotar nada, de simplesmente sentar na poltrona e ser levado pela história. É o que acontece com "Os homens que não Amavam as Mulheres".

Stieg Larsson - o autor, morreu assim que entregou os livros a editora, em um lance de pura fatalidade -  nos deixou a história de Lisbeth Salander, uma hacker anoréxica com típico visual cyber-punk que ajuda o jornalista Mikael Blomkvist a desvendar o sumiço da sobrinha de um grande industrial - cujo desaparecimento misterioso ocorreu há décadas. O personagem de Lisbeth, por mais estranho que seja, é assustadoramente cativante. É seguindo as pistas desta história que o livro nos leva fácil fácil. Como escreve Contardo Caligaris na contracapa do livro: "O problema com Larsson é que, se a gente se aventura e entra na história, está perdido: não tem mais como largar o livro".


segunda-feira, 12 de setembro de 2011

feltrinelli: editor, aristocrata e subversivo - editora conrad - 2006

Giangiacomo Feltrinelli foi uma das figuras culturais mais importantes do século XX, filho de uma das famílias mais ricas da Itália. Os Feltrinelli, donos de um império que contava com empresas do ramo de madeiras, energia, etc viram o filho Gian se tornar na juventude, membro do partido comunista italiano. Até aqui, a biografia já conteria uma história interessante, mas Giangiacomo criou mais polêmica no ramo editorial. A editora Feltrinelli - fundada por Gian e ainda existente na Itália - foi responsável pela publicação de "Doutor Jivago", livro escrito por Boris Pasternak, proibido de ser lançado da União Soviética por não se enquadrar moldes temáticos do comunismo reinante. O caso repercutiu e rendeu à Feltrinelli essa aura mítica: o editor que começou a lançar livros proibidos em seus países de origem, principalmente  por serem censurados politicamente.

Esta biografia de Feltrinelli, escrita pelo filho do editor, detalha toda a história de publicação do romance, ou seja, "o romance do romance" e a crônica de outras publicações como os livros do escritor americano Henry Miller. Uma história interessantíssima, mesmo que contada às vezes sem muito didatismo pelo autor, que poderia situar melhor o leitor no contexto histórico da época. É preciso portanto já ir para a leitura com certo conhecimento prévio. Mas quem conhece a figura Feltrinelli provavelmente já deve estar ciente de sua importância e não se arrependerá de conhecer os detalhes de sua fascinante história. Antológico!

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Leituras: Grande Sertão: Verdas - Nova Fronteira

Pronto. Confesso. Chorei relendo algumas passagens de Grande Sertão Veredas! Eu já li grande parte deste livro uns anos atrás, mas quase no final tive que abandonar a leitura por algum motivo. Mas não fiquei triste, porque sabia que iria ler e reler este livro muitas vezes. E então agora começo do começo e sem nenhum fio de dúvida declaro: é o livro mais bonito da literatura brasileira! Pelo menos do que eu já li até aqui!
A linguagem não é preciso nem comentar: "de primeiro eu fazia e mexia, e pensar não pensava. Não possuía os prazos. Vivi puxando difícil de difícel, peixe vivo no moquém: quem mói no asp'ro, não fantasêia..."
Este é o tipo de livro em que o vale é o sentir. Como diria Clarice Lispector "ou toca ou não toca". Ou você sente o livro e é levado por aqueles monólogos do personagem narrador ou ele te dá uma surra e você sai resmundando "quem livro chato, blá, blá,blá´".
Agora o mais bonito de tudo é a relação Riobaldo x Diadorim! Pro inferno com essas historinhas de amor vampiresco de Stephanie Meyer!! Pro diabo com isso! A história da fascinação de Riobaldo com Diadorim é o que eu chamo de uma verdadeira "love story":

"...Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Digo o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego...".

Mas pera aí...ele? Riobaldo não é jagunço e Diadorim também, cujo nome na verdade é Reinaldo?
Leia o livro amigo! Leia!!!

domingo, 19 de abril de 2009

Leituras: On The Road - Jack Kerouac - L& PM

Sempre ouvi coisas boas sobre o livro On The Road, do Jack Kerouac. Comentários sobre como o livro inspira o leitor a aventurar-se por alguma experiência diferente da vida comum, mesmo caso de Thoreau, autor/tema do último post. Recebi semana passada a edição de On The Road, comprada em um sebo, edição da Penguin, em inglês. O trecho a seguir me ganhou:

"...because the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawm or say a commomplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the centerlight pop and everybody goes "Awww"!"

sexta-feira, 10 de abril de 2009

THOREAU: UM LEITURA PERIGOSA

Se você é no fundo um idealista inveterado, que acha a sociedade uma coisa pérfida, que o ser humano se tornou "um rio poluído" (mas ainda assim confia que há um caminho para a humanidade). Se tem convicção que o Romantismo foi o único grande movimento artístico digno de nota e inveja todos aqueles que incorporaram sua ideologia (o autor supracitado). Se, de vez em quando, dá vontade de colocar uma mochila nas costas e dar uma de Christopher McCandless, então não leia os textos de Henry-David Thoreau. É um conselho, um bom conselho...Só pra comprovar:

"Nunca me senti tão lisonjeado quando no dia que alguém me pediu a minha opinião e prestou atenção no que eu disse [...]Nunca se interessam pela minha carne; preferem a minha casca"
.
"Creio que nada, nem mesmo o crime, se opõe mais à poesia, filosofia e, acima de tudo, à vida, do que essa incessante movimentação dos negócios [...] prefiro aprender as lições de uma escola diferente; não importa pra mim que prazer aquela pessoa ou aqueles governos acaso consigam com seus afazeres"
.
"A maioria das pessoas com quem converso, mesmo homens e mulheres inteligentes, de certa originalidade, apresenta uma visão de mundo inteiramente previsível e seca - como é árido ouvir suas explicações, tão ressecadas que podem pegar fogo."
.
"Vir a este mundo apenas como um herdeiro não é nascer; é ser natimorto"

sábado, 29 de novembro de 2008

Frango com Ameixas: Marjane Satrapi

 frango_com Marjane Satrapi está de volta. Uma história curta, porém simpática e deliciosa como Persepolis, livro anterior de Satrapi lançado no Brasil, já comentado aqui no blog. Nasser Ali é um músico reconhecido, tocador do Tar, instrumento típico da cultura persa. Certo dia, em uma discussão, sua esposa- com a qual havia se casado sem verdadeiro interesse - quebra o valioso instrumento, o que leva Ali a um suicídio premeditado e não muito convencional. O tar, ganhado do seu mestre, era a vida de Ali, por causa da música em si, mas também das lemvranças e do símbolo que ele representa de um acontecimento do passado: sua paixão nunca superada por uma outra mulher.

Marjane narra a decadência emocional, a reação dos filhos - um deles, um pirralho insuportável - e os oito dias que trancorrem desde que Ali decide morrer até o momento em que Azrael, o Deus da morte na mitologia persa, vem ao seu encontro. Mas não não pense que se trata de um dramalhão. Satrapi continua com o humor afiado e com a narrativa da comédia familiar que a consagrou em Persépolis. É a combinação perfeita que faz da autora um sucesso mundial: uma história tocante, muitas vezes fatídica, mas contada de um perspectiva pessoal, empática, sem soar pretencioso. Vale lembrar também que trata-se de uma história auto-biográfica. Nasser Ali era tio-avô de Satrapi, e a história se passa antes mesmo do nascimento da autora.

Antológico!!

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

JOE SACCO

palestina2 Aff, tem gente que é gênio mesmo. E nasceu pra fazer algo inteligente e útil na vida. Joe Sacco é o cara!!!. Nascido em Malta, criado na Austrália e EUA ficou conhecido no mundo todo após praticamente fundar um gênero: o jornalismo em quadrinhos. O trabalho mais conhecido são os dois livros da série Palestina (Conrad), em que Sacco exibe com textos e desenhos as nunces do conflito Israel-Palestina. O segundo livro é dedicado exclusivamente à Faixa de Gaza, a região com maior concentração de Palestinos e uma das áreas mais delicadas do conflito.
Pode conferir que é Antológico!!!!
the fixer Outra dica bacana é Uma História de Sarajevo (Conrad), em que Sacco "convive com Neven, um ex-combatente que sobrevive como guia de jornalistas". Este eu ainda não li. Acabei de receber. Vou dar uma olhada e volto aqui pra postar a resenha.
Todos os livros de Joe Sacco lançados por aqui foram editados pela Conrad, esta editora que por pouco não é uma das melhores do Brasil. O catálogo é excelente, repleto de histórias em quadrinhos e livros relacionados à cultura pop. Ao lado, a foto da capa de "Um História..." na edição da Phantagraphics, editora americana de Sacco.

terça-feira, 1 de abril de 2008

o morro dos ventos uivantes: a maior maravilha literária da terra


Meu artigo de conclusão de curso será sobre este livro escrito por jovem de vinte e poucos anos, introspectiva ao extremo e com uma biografia tão misteriosa como fascinante: Emily Jane Brontë. Acabo de comprar/receber uma das edições brasileiras da obra a cargo da editora Landy. Uma edição memorável, bem acabada, cheia de "extras" que incluem prefácios, a nota biográfica escrita pela irmã de Emily, Charlotte Brontë, ensaios críticos da época, enfim, um belo dossiê.
Esta publicação merece destaque, levando-se em consideração as escassas fontes de pesquisa sobre a autora em português. Meu fascínio com O Morro... começou quando o li há uns dois anos atrás. Foi um choque, algo totalmente diferente de qualquer coisa que eu havia lido. Até agora não pude compará-lo a nada, nem antes, nem depois e quanto mais pesquiso sobre a obra e sua autora, mais interessada e instigada eu fico. Fica a deixa pra quem quiser se aventurar pela leitura desta obra ABSOLUTAMENTE ANTOLÓGICA!!!!!!

Pequena Resenha
O Morro dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë (tradução de Renata Maria Parreira Cordeiro e Eliane Gurjão Silveira Alambert; Landy; 432 páginas; 50 reais) – Já existiam cinco traduções dessa obra-prima do romantismo inglês no Brasil, mas essa nova edição é um primor, uma bela aquisição para qualquer biblioteca de clássicos. Ela traz quadros cronológicos do período, quadros genealógicos da família Brontë, perfis da autora – que morreu em 1848, aos 30 anos – e um apanhado de comentários críticos desde a época do lançamento do livro até hoje. Com sua atmosfera lúgubre, O Morro dos Ventos Uivantes é uma história de amor atormentado, mas também uma espécie de romance metafísico sobre o homem em confronto com os "poderes eternos". "Um dos mais belos livros da literatura de todos os tempos", dizia o francês Georges Bataille em 1957, enquanto o crítico americano Harold Bloom sentenciou, em 2002: "Uma obra de uma grandiosidade solitária".

Leia o primeiro capítulo da obra aqui

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Leituras: Arte, Inimiga do Povo - Conrad


Este blog recomenda Arte, Inimiga do Povo ,(Conrad, 207p)indispensável para quem acompanha cultura e quer refletir sobre arte. A frase lapidar do autor Roger L. Taylor, professor universitário britânico é: "a arte não passa de uma grande farsa, um jogo de cena das classes dominates para vender seu estilo de vida como algo superior e elevado". Há nessa assertiva, um certo ranço marxista que, em se tratando de arte, as vezes não deve ser levado muito a sério. Agora, a idéia realmente interessante de Taylor é a da adoção e apologia de manifestações culturais originalmente populares por cultos críticos brancos de classe alta. O jazz, por exemplo, ignorado como arte de pobres e negros, posteriormente foi aceito como expressão artísitca elevada. Taylor traça todo este processo em um dos melhores capítulos do livro chamado "Um alerta sobre a influência corruptora da arte na cultura popular".
Altamente recomendado!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Leituras: Sexo, Arte e Cultura Americana - Camille Paglia - Companhia das Letras


O livro “Sexo, Arte e Cultura Americana” é um achado, esgotado há anos, é um caso de desaparecimento - pois não há referência a obra nem mesmo no site da editora que o lançou no Brasil. Um desastre editorial, pois é justamente o livro pelo qual podemos conhecer o pensamento de Camille Paglia, intelectual feminista (ou anti-feminista, dependendo do ângulo) americana que se tornou uma estrela acadêmica no princípio da década de 90 e possui as idéias mais tresloucadas e brilhantes de toda esta década.
Paglia teve sua formação em universidades públicas e finalmente na elitizada Yale em Nova York. Seu mentor intelectual foi ninguém menos que Harold Bloom, crítico literário mais badalado atualmente e bíblia a qual todo jornalista recorre quando vai escrever sobre os clássicos. A ascensão de Paglia se deu em 1990, quando lançou seu livro Personas Sexuais, em que trata de séculos de historia do sexo e as artes no ocidente. O lançamento sem alarde e sem resenhas bombásticas, em poucos meses deslanchou a carreira de Paglia, que, de uma desconhecida do grande público, se tornou figura requisitada por toda em toda a mídia. Os detalhes desta trilha do sucesso são contados em um capítulo do livro. A consagração foi uma conferência do MIT com centenas de pessoas disputando lugar por corredores e salas.
Em Sexo, arte...estão compilados ensaios, artigos, resenhas de livros e trechos de entrevistas concedidas a diversos veículos de comunicação. Uma amostragem que expõe a grande qualidade de Paglia: seu vigor intelectual e, principalmente, verbal. Mesmo não concordando com a agenda da escritora (“sou abertamente a favor da prostituição, da pornografia”), não há como não se render ao seu estilo cáustico, estridente e de uma arrogância sem solenidade. Paglia é portadora de erudição clássica e mesmo assim, escreve à maneira rude e crua dos americanos. Seu pensamento é povoado de referências históricas à cultura helênica, o que dá muito de consistência nas assertivas feitas por ela. Polêmica, despudorada, com idéias exageradamente liberais, Camille Paglia é a doida varrida mais brilhante da América.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Leituras: Madame Bovary - Gustave Flaubert

Ai de ti, romantismo.
Uma data comemorativa sobre Madame Bovary é um bom pretexto para se escrever sobre este livro sensacional. Escrito em fins do século XIX, o romance conta a história de Emma Bovary, personagem central do livro escrito pelo francês, Gustave Falubert. Casada com um médico provinciano, Emma não se agüenta de tédio de uma vida sem novidades. Em busca de aventuras, a jovem começa a trair o marido exemplar com jovens galantes e igualmente inescrupulosos. Emma mente, contrai dívidas, engana descaradamente o pacato e apaixonado Dr. Bovary.
Antes de mais nada, trata-se de uma história tocante de humanidade, a partir do momento em que nos identificamos com Emma em sua faina de viver uma vida mais aventuresca, rechaçando a monotonia de uma existência muitas vezes comum, reles. Depois é uma crítica ácida à ideologia romântica, pois demonstra a impossibilidade de se viver aquém das regras sociais que prevêm um comportamento sempre pré-estabelecido: Emma deveria viver e morrer junto ao exemplar Dr. Bovary e sua vizinhança insossa. E por fim, é um livro de erotismo inclassificável, o melhor deles. Mesmo não havendo uma referência explícita, todos os momentos sórdidos de Emma com seus amantes são de tirar o fôlego.
Não é preciso dizer que um livro assim tão ousado não passou incólume pelos patrulheiros conservadores do século XIX. Flaubert teve de atender à um processo público e responder sobre a imoralidade da obra. Mas tudo passou, e ao lado de “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós, é um dos livros mais deliciosamente escandalosos do século XIX. Simplesmente antológico!

Aviso aos navegantes: a obra não é das mais fáceis de se ler. O estilo de Flaubert é lento e a construção do livro é minuciosa, mas vale a pena insistir.

Três livros e muita história: Llosa, John Boyne e Chimamanda Adichie

Dois assuntos favoritíssimos da vida: literatura e história. O primeiro eu estudei formalmente na facul, apesar de ter lacunas muitos sér...