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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Os trabalhadores do mar – Victor Hugo - Cosac e Naify


Ilhas do Arquipélago da Mancha. Victor Hugo nos apresenta um universo em todos os seus aspectos: religião, geografia, historia em um texto acrescentado ao início desta edição. Essa espécie de prefácio se parece muito com o começo de ‘Os Sertões’ de Euclides da Cunha (livro que este blog está a ler). Detalhes e mais detalhes sobre os rochedos, as marés, as correntes de ar. Atravessada esta parte, quando enfim começamos a história que irá se desenrolar, aí sim temos o filé mignon: Hugo nos apresentando seus personagens: Gilliatt, Deruchette, Mess Lethierry, a Durande (um barco – sim um barco é parte importante da história). É um mais fascinante que o outro. Vamos nos ater a Gilliatt. Por um episódio ao acaso, Gilliatt, nosso herói, um solitário morador da ilha, tido por muitos como uma feiticeiro, homem de habilidades e intimidade com o mar, vai sem aviso arriscar a vida até um rochedo no meio do oceano para retomar a máquina perdida do naufragado barco a vapor do senhor Lethierry, outro morador com suas excentricidades – entre elas o anti clericalismo radical. Trabalho insano o resgate da Durande, que coloca nosso herói em luta excruciante com o mar e todos os seus elementos. A recompensa? O casamento com a doce Derruchete, filha do nosso ‘Mess’ – título conquistado a duras penas por Lethierry em uma sociedade divida socialmente cujo amor vai igual para o barco e a filha, a quem promete o casamento para o ser que conseguir resgatar a Durande. O fim da história? Só lendo esta obra fantástica que muitas vezes tem seus momentos ‘os sertões’, principalmente nas descrições dos engenhos de Gilliatt no rochedo: longas e cheias de detalhes que podem cansar o leitor. Mas vale a pena: a apresentação dos personagens é fascinante e apaixonante e o final, ah meus amigos... um final que só um escritor Romântico da estirpe de Hugo poderia nos brindar. E as reviravoltas da trama? E o naufrágio da Durande causando pelo aparente homem exemplo-de-conduta capitão Clubin? Antológico mes amis!!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Hamlet (ou tentando entender a grandeza de Shakespeare)


Já havia comentado algumas vezes minha dificuldade em gostar de Shakespeare. Já lidos do autor: Noite de Reis, A tempestade, MacBeth e Hamlet – talvez a obra mais estudada e escrutinizada da história da literatura. Li as peças com clara dificuldade para entender o que se passava e chegar às profundezas que levam a maioria dos críticos a colocar Shakespeare como o maior criador literário do ocidente. Estes dias me vi pensando mais uma vez sobre o assunto e repassando na minha cabeça o enredo de Hamlet consegui alcançar algo de uma iluminação. Talvez muita gente já houvesse percebido o fato  - e eu aqui dando uma de retardada: mas não é a genial a ideia do personagem que para vingar seu pai não pega em nenhuma arma e sai a matar cruelmente o autor do assassinato? Ao vez disso ele faz o que? Monta uma peça de teatro... uma peça dentro da peça e ali, encenando a morte do pai, ele consegue não a vingança em si, mas confirmar a culpa do assassino pela sua reação. Não é isso genial? Cheguei em casa e fui repassar algumas passagens do livro. Ganhei meu dia, consegui ter um pequeno lampejo da grandeza do bardo! Antológico!

domingo, 19 de abril de 2009

Leituras: On The Road - Jack Kerouac - L& PM

Sempre ouvi coisas boas sobre o livro On The Road, do Jack Kerouac. Comentários sobre como o livro inspira o leitor a aventurar-se por alguma experiência diferente da vida comum, mesmo caso de Thoreau, autor/tema do último post. Recebi semana passada a edição de On The Road, comprada em um sebo, edição da Penguin, em inglês. O trecho a seguir me ganhou:

"...because the only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawm or say a commomplace thing, but burn, burn, burn like fabulous yellow roman candles exploding like spiders across the stars and in the middle you see the centerlight pop and everybody goes "Awww"!"

sexta-feira, 10 de abril de 2009

THOREAU: UM LEITURA PERIGOSA

Se você é no fundo um idealista inveterado, que acha a sociedade uma coisa pérfida, que o ser humano se tornou "um rio poluído" (mas ainda assim confia que há um caminho para a humanidade). Se tem convicção que o Romantismo foi o único grande movimento artístico digno de nota e inveja todos aqueles que incorporaram sua ideologia (o autor supracitado). Se, de vez em quando, dá vontade de colocar uma mochila nas costas e dar uma de Christopher McCandless, então não leia os textos de Henry-David Thoreau. É um conselho, um bom conselho...Só pra comprovar:

"Nunca me senti tão lisonjeado quando no dia que alguém me pediu a minha opinião e prestou atenção no que eu disse [...]Nunca se interessam pela minha carne; preferem a minha casca"
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"Creio que nada, nem mesmo o crime, se opõe mais à poesia, filosofia e, acima de tudo, à vida, do que essa incessante movimentação dos negócios [...] prefiro aprender as lições de uma escola diferente; não importa pra mim que prazer aquela pessoa ou aqueles governos acaso consigam com seus afazeres"
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"A maioria das pessoas com quem converso, mesmo homens e mulheres inteligentes, de certa originalidade, apresenta uma visão de mundo inteiramente previsível e seca - como é árido ouvir suas explicações, tão ressecadas que podem pegar fogo."
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"Vir a este mundo apenas como um herdeiro não é nascer; é ser natimorto"

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Leituras: Madame Bovary - Gustave Flaubert

Ai de ti, romantismo.
Uma data comemorativa sobre Madame Bovary é um bom pretexto para se escrever sobre este livro sensacional. Escrito em fins do século XIX, o romance conta a história de Emma Bovary, personagem central do livro escrito pelo francês, Gustave Falubert. Casada com um médico provinciano, Emma não se agüenta de tédio de uma vida sem novidades. Em busca de aventuras, a jovem começa a trair o marido exemplar com jovens galantes e igualmente inescrupulosos. Emma mente, contrai dívidas, engana descaradamente o pacato e apaixonado Dr. Bovary.
Antes de mais nada, trata-se de uma história tocante de humanidade, a partir do momento em que nos identificamos com Emma em sua faina de viver uma vida mais aventuresca, rechaçando a monotonia de uma existência muitas vezes comum, reles. Depois é uma crítica ácida à ideologia romântica, pois demonstra a impossibilidade de se viver aquém das regras sociais que prevêm um comportamento sempre pré-estabelecido: Emma deveria viver e morrer junto ao exemplar Dr. Bovary e sua vizinhança insossa. E por fim, é um livro de erotismo inclassificável, o melhor deles. Mesmo não havendo uma referência explícita, todos os momentos sórdidos de Emma com seus amantes são de tirar o fôlego.
Não é preciso dizer que um livro assim tão ousado não passou incólume pelos patrulheiros conservadores do século XIX. Flaubert teve de atender à um processo público e responder sobre a imoralidade da obra. Mas tudo passou, e ao lado de “O Crime do Padre Amaro” de Eça de Queirós, é um dos livros mais deliciosamente escandalosos do século XIX. Simplesmente antológico!

Aviso aos navegantes: a obra não é das mais fáceis de se ler. O estilo de Flaubert é lento e a construção do livro é minuciosa, mas vale a pena insistir.

Três livros e muita história: Llosa, John Boyne e Chimamanda Adichie

Dois assuntos favoritíssimos da vida: literatura e história. O primeiro eu estudei formalmente na facul, apesar de ter lacunas muitos sér...