Durante os anos de faculdade tive oportunidade de conhecer pessoas com uma preciosa cultura musical, principalmente em questões de música brasileira e erudita. Foi um destes amigos que um dia me disse em meio a risos: "tem esse compositor brasileiro que escreveu uma música assim: 'as mariposa quando chega o frio, fica dando vorta em vorta (sic) da lâmpida pra se esquentar, ela roda, roda roda depois se senta, em cima do prato da lâmpida pra descansar'". Fiquei curiosíssima, quem canta um troço engraçado desse? No outro dia ele me volta com uma coletânia: Adoniran Barbosa. Foi um choque, em meio ao um monte de bandas brasileiras de segunda linha, nunca tinha ouvido uma música tão engraçada, criativa, e que verdadeiramente expressava a cultura brasileira: a cultura da vila, dos morros, do trabalhador, da vida amorosa de esquina. Daí em diante conheci Cartola, Noel Rosa, Zé Ketti e outras preciosidades. Foi ouvindo estes sambas que eu aprendi a gostar da música brasileira e acabei chegando a conclusão de que em termos de música popular, o Brasil é imbatível. ANTOLÓGICO!!
Vê se não dá pra rir com uma letra assim: Mulher Indigesta (Noel Rosa) - Aviso: feministas fora!!
Mas que mulher indigesta!(Indigesta!)
Merece um tijolo na testa
Essa mulher não namora
Também não deixa mais ninguém namorar
É um bom center-half pra marcar
Pois não deixa a linha chutar
E quando se manifesta
O que merece é entrar no açoite
Ela é mais indigesta do que prato
De salada de pepino à meia-noite
Essa mulher é ladina
Toma dinheiro, é até chantagista
Arrancou-me três dentes de platina
E foi logo vender no dentista
Aqui, o grande Adoniran Barbosa e seu clássico absoluto: Trem das Onze


